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Os cursos para Belts não são um fim em si mesmos

Einstein uma vez afirmou “A perfeição dos meios e a confusão dos fins parecem caracterizar nossa era”. Esse pensamento ainda é muito válido para a época atual e é especialmente apropriado no âmbito dos cursos para os Belts do Lean Seis Sigma.

Por Cristina Werkema

 

Sabemos que o Lean Seis Sigma é uma estratégia gerencial disciplinada e quantitativa, que tem como objetivo aumentar a lucratividade das empresas, por meio da execução de projetos que visam obter a melhoria da qualidade de produtos e processos e o aumento da satisfação de clientes e consumidores.

O Lean Seis Sigma enfoca os objetivos estratégicos da organização e estabelece que todos os setores-chave para a sobrevivência e sucesso futuros da empresa possuam metas de melhoria baseadas em métricas quantificáveis, que serão atingidas por meio de um esquema de execução projeto por projeto.

Os projetos são conduzidos por equipes lideradas pelos especialistas do Lean Seis Sigma (usualmente, Green Belts ou Black Belts), com base nos métodos DMAIC (Define, Measure, Analyze, Improve, Control), para a condução dos projetos de melhoria de desempenho de produtos e processos, e DMADV (Define, Measure, Analyze, Design, Verify), que é utilizado em projetos cujo escopo é o desenvolvimento de novos produtos e processos.

Portanto, os cursos para formação de Belts, que preparam os profissionais da empresa para a execução dos projetos Lean Seis Sigma, são muito importantes, mas são somente um meio para o alcance de um fim.

No entanto, algumas empresas focam sua atenção na realização dos cursos (geralmente com extensas e desnecessárias cargas horárias), na contabilização do número de pessoas treinadas como Belts e na quantidade de ferramentas usadas em cada projeto, se esquecendo de priorizar os resultados, notadamente os ganhos financeiros. Nesse cenário, é comum que vários projetos percam o ritmo de realização e nunca sejam concluídos, o que representa um desperdício do investimento com os cursos e, ainda pior, um alto risco de que o Lean Seis Sigma seja descontinuado na organização, sendo caracterizado como mais uma moda passageira na área da gestão, que fracassou na empresa.

Portanto, o mais importante é garantir os elementos que levarão ao sucesso dos projetos, com a geração de retorno financeiro para a empresa e de benefícios para os clientes, e não enfatizar a aplicação de ferramentas que são ensinadas nos cursos, mas que não são necessárias para a realização adequada – e suficiente – das análises envolvidas no desenvolvimento dos projetos. Nas palavras do renomado estatístico Donald Wheeler, aluno e colega de Deming durante 21 anos, “A melhor análise é a mais simples, desde que ofereça o entendimento necessário da situação”.

Infelizmente, é comum identificarmos empresas de treinamento e consultoria indo na contramão dos fatos acima, obrigando o candidato a Belt a utilizar em seu projeto várias ferramentas que, na realidade, não são necessárias, gerando atraso na conclusão do projeto, ou mesmo o abandono do trabalho, além de outras perdas.

Sabemos que nem todas as ferramentas identificadas como pertencentes ao domínio do Lean Seis Sigma são indispensáveis na execução dos projetos, visto que o grau de sofisticação das ferramentas necessárias varia de acordo com o tipo de atividade na qual o projeto está inserido, dependendo da complexidade do problema em questão. O elemento indispensável é o método de análise, estruturado em etapas e atividades, o qual, no Lean Seis Sigma, para os projetos de melhoria de desempenho de produtos e processos, é o método DMAIC.

Vários projetos podem gerar benefícios muito expressivos para a empresa, apenas com o uso correto do método DMAIC e o emprego de ferramentas de análise simples, tais como Mapa de Raciocínio, Project Charter, Métricas Lean, Métricas do Seis Sigma, Gráfico Sequencial, SIPOC, Estratificação, Folha de Verificação, Gráfico de Pareto, Histograma, Estatísticas Descritivas, Fluxograma, Mapa de Processo, Diagrama de Causa e Efeito, Matriz de Priorização, Poka-Yoke e Procedimentos Padrão, dentre outras.

Portanto, a não ser por algumas ferramentas (Mapa de Raciocínio e Project Charter, por exemplo), que são necessárias em todos os projetos, somente aquelas que se ajustam naturalmente às características do projeto devem ser usadas.

O uso obrigatório de uma vasta gama de ferramentas em um projeto representa falta de discernimento e é um desperdício de tempo e outros recursos, que são empregados somente para que seja feita a manipulação dos elementos do projeto com o objetivo de forçar o uso de ferramentas desnecessárias.

Finalizando, ressalto que as cargas horárias e os conteúdos programáticos dos cursos para Belts devem ser revistos, na busca de sua redução, de modo que estejam alinhados ao uso inteligente e eficaz, nos projetos, das ferramentas do Lean Seis Sigma.

 

Cristina Werkema é proprietária e diretora do Grupo Werkema

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