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COMO CALCULAR A INCERTEZA DE MEDIÇÃO
O procedimento1 a utilizar na estimativa da Incerteza de Medição deve seguir sistematicamente os seguintes passos, sempre que possível:
- exprimir em termos matemáticos a função de dependência da grandeza de saída em relação às grandezas de entrada;
- identificar e efetuar todas as correções significativas, provenientes de erros conhecidos ou determinados;
- listar todas as fontes de incerteza;
- calcular a incerteza-padrão para grandezas medidas com repetição da medição;
- para valores isolados, resultantes de medições anteriores, de correções, da literatura, adotar as incertezas-padrão quando são dadas ou podem ser calculadas. Se não existirem dados disponíveis, estimar o valor com base na experiência;
- para grandezas de influência ou de entrada, cuja distribuição de probabilidade é conhecida ou pode ser assumida, calcular o valor esperado e a incerteza-padrão. Se só conhecer ou puder estimar os valores-limite superiores ou inferiores, calcular a incerteza padrão;
- calcular, para cada grandeza de entrada, a respectiva contribuição para a incerteza da grandeza de saída e somar os seus quadrados2 de forma a obter o quadrado da incerteza-padrão. Se as grandezas de entrada forem interdependentes3, são necessários cálculos adicionais4;
- calcular a incerteza expandida multiplicando a incerteza padrão pelo fator de expansão k = 25.
Este Procedimento sequencial deve ser seguido, mesmo no casos mais simples, sendo aí dispensados alguns passos. Vejamos alguns aspectos mais em detalhe.
A função matemática
Nem sempre é fácil a um técnico estabelecer a função de dependência da grandeza de saída Y em relação às de entrada XI . Nessa circunstância deve aconselhar-se com alguém mais conhecedor ou obter na literatura especializada a informação necessária. Em muitos casos, a função é muito simples, de proporcionalidade direta ou inversa e, no caso de uma mera comparação, é do tipo Y=X+ΔX.
No entanto, casos há em que o conhecimento da função é determinante para avaliar aquela dependência, podendo haver mesmo interdependência ou correlação entre as contribuições. Nestes casos, a resposta deve ser procurada no Guia do IPQ, como se referiu atrás.
Combinação das incertezas
Conforme referenciado anteriormente a incerteza-padrão da grandeza de saída, se obtém combinando as diversas incertezas-padrão que para ela contribuem, através da raiz quadrada da soma dos quadrados de cada uma delas. É a chamada “raiz da soma quadrática”. Mas antes de se proceder a esta operação há que:
- converter todas as parcelas na mesma unidade de medida, ja que se não podem somar “alhos com bugalhos”;
- retirar aos componentes que estejam expressos na forma de incerteza expandida os respectivos coeficientes de expansão, por forma a obter-se as correspondentes incerteza-padrão.
Deste modo, as diferentes contribuições, sejam de Tipo A ou B, são introduzidas num Balanço da Incerteza, nomeadamente na forma de folha de cálculo, que pode apresentar a fora da Figura abaixo:

Incertezas relativas
Tudo o que referimos anteriormente é válido para as incertezas na forma relativa, ou seja, em que o valor da incerteza se divide pelo valor da grandeza. Por vezes é mais cômodo ou mais sugestivo utilizar esta forma.
Incerteza expandida. Fator de Expansão
Referenciado logo de início que a Incerteza de Medição associa dois conceitos: um intervalo de valores e um nível de confiança. O intervalo de valores é calculado mediante a combinação das incerteza-padrão das diferentes origens, como referenciado anteriormente; o grau de probabilidade é introduzido, mediante a multiplicação da incerteza combinada por um fator de expansão, consoante o grau de probabilidade que se quer admitir para cada caso concreto. Para uma distribuição normal, assume-se 95,45% de probabilidade, a de que corresponde um fator de expansão “2”. Ao fator “1”, corresponde um nível de confiança de 68,26%; ao fator “3”, um nível de 99,73%.
Fonte:
Antônio Cruz
Incerteza de Medição – Introdução ao Conceito
Instituto Português da Qualidade – Dezembro 2005
1 O Procedimento sequencial aqui referenciado é, por aproximação, o mesmo do Guia do IPQ, simplificada a terminologia e conceitos por se tratar de uma introdução. Aqueles que pretendem seguir com todo rigor a metodologia devem utilizar o referido Guia
2 Designam-se por variâncias
3 O termo mais correto é correlacionadas
4 Ver o Guia do IPQ
5 Este número é válido para um número de graus de liberdade superior a 50, número que se assume também, quando nos certificados de calibração nada é dito em contrário
Os pulmões predeterminados fazem o sistema funcionar
A chave para os sistemas de Ford e Ohno não está nas correias transportadoras, nem nos cartões Kanban e sim no fato de que as correias e os cartões são mecanismos para estabelecer um pulmão predeterminado de inventário (comprimento da corda) entre dois centros de trabalho.
Na linha de montagem de Ford, o pulmão predeterminado é o espaço na correia transportadora entre duas operações. No enfoque de Ohno, ele é o número de cartões Kanban, um para cada contenedor de peças, que são predeterminados para serem usados entre duas operações. O pulmão diz ao operário do centro de trabalho anterior quando trabalhar – e quando não trabalhar. Quando o pulmão está cheio, o operário anterior para. Quando o pulmão não está cheio, ele trabalha. Nesses dois enfoques semelhantes, o fluxo de trabalho é sincronizado para que o inventário seja baixo, comparado com os nossos métodos convencionais de operação.
No entanto, existe uma desvantagem neste tipo de sistema de corda. Qualquer interrupção significativa em qualquer centro de trabalho fará com que o fluxo total pare e o valor agregado seja perdido. Essas interrupções são muito caras, pois, se elas não tivessem ocorrido, poderiam ter sido feitos produtos adicionais por, basicamente, apenas o custo da matéria prima. Esta é a razão pela qual é dada excessiva atenção, nesses sistemas de corda, para reduzir flutuações e interrupções no fluxo de materiais. As máquinas devem ser muito mais confiáveis. O tempo de preparação deve ser reduzido e predizível. As sobrecargas de produção devem ser evitadas e assim por diante. A eliminação desses problemas não é uma tarefa sem importância. Ela exige o mesmo processo que usamos na correção dos defeitos de uma linha de montagem, processo ou transferência.
No sistema Kanban, a redução das flutuações não é menos importante e é necessário um período longo para reduzir a flutuação.
Bibliografia
A corrida pela vantagem competitiva
Eliyahu M. Goldratt e Robert E. Fox – SP
IMAM, 1989
Barreiras Técnicas às Exportações
Conceitos básicos
Para protegerem seus mercados, os países procuram utilizar vários mecanismos que dificultem o acesso de mercadorias importadas – as barreiras comerciais. A maneira mais comum de proteger os mercados é a utilização de tarifas. Contudo, com as negociações internacionais sobre comércio, que geralmente resultam em reduções nas tarifas que os países podem aplicar, foram sendo desenvolvidos novos artifícios para dificultar as importações, as chamadas barreiras não-tarifárias. Entre essas, tem se destacado as denominadas barreiras técnicas.
Há várias formas de definir barreiras técnicas às exportações e, para introduzir o tema, considere-se a definição abaixo, elaborada a partir das regras estipuladas pela Organização Mundial do Comércio (OMC):
“Barreiras Técnicas às Exportações são barreiras comerciais derivadas da utilização de normas ou regulamentos técnicos não transparentes ou que não se baseiam em normas internacionamente aceitas ou, ainda, decorrentes da adoção de procedimentos de avaliação da conformidade não transparentes e/ou demasiadamente dispendiosos, bem como de inspeções excessivamente rigorosas.”
Para melhor compreensão dessa definição, é necessário conhecer melhor os conceitos de normas, de regulamentos técnicos e de avaliação da conformidade.
Em primeiro lugar, faz-se necessário apresentar a distinção entre regulamentos e normas. Ambos estabelecem características de um produto ou de processos a ele relacionados, além de métodos de produção. Esses documentos também podem incluir requisitos de procedimento, esécificação, simbologia, terminologia, padronização e classificação. Contudo, a grande diferença consiste em que o cumprimentos dos regulamentos é compulsório, enquanto que o das normas é voluntário.
Os regulamentos são estabelecidos pelo governo através de diversos agentes em suas áreas específicas de competência, para assegurar algumas metas, a saber: garantia da segurança e saúde dos consumidores; proteção dos consumidores contra práticas comerciais enganosas e a compra inadvertida de produtos inadeaquados ao uso e proteção do meio ambiente. Os produtos que não esteiverem de acordo com tais regulamentos não podem ser comercializados. No Brasil, além do Inmetro, vários Ministérios são autorizados a emitir regulamentos técnicos, tais como Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério do Trabalho e Emprego; Ministério do Meio Ambiente; Ministério da Defesa; Ministério dos Transportes e Ministério da Saúde. Vale acrescentar que os regulamentos técnicos emitidos são aplicados igualmente aos produtos produzidos nacionalmente e aos produtos importados.
Por outro lado, as normas, por terem caráter voluntário, não impedem que nenhum produto seja comercializado. Contudo, os produtos que não estão de acordo com as normas estipuladas têm maior dificuldade para sua aceitação no mercado. No Brasil, as normas são elaboradas no âmbito da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, entidade privada criada com o objetivo de coordenar, orientar e supervisionar o processo de elaboração das normas nacionais.
Os procedimento de avaliação da conformidade consistem em procedimentos técnicos utilizados para confirmar se tais regulamentos/normas estão sendo cumpridos. Para tanto, são realizados testes, verificações, inspeções e certificações, com o intuito de avaliar sistemas da qualidade, produtos, serviços e pessoal. O conceito básico que está por trás dos procedimentos de avaliação da conformidade é a confiança. Tais procedimentos permitem que se crie uma maior confiança nos produtos testados/avaliados, protegendo o consumidor e as empresas.
Vale destacar que os custos que se referem à adaptação de produtos às normas e regulamentos, assim como aqueles que referem aos procedimentos de avaliação da conformidade, incidem normalmente sobre o produtor. Para diminuir estes custos, têm sido promovidos acordos de recomnhecimento mútuo dos procedimentos de avaliação da conformidade, cujo objetivo principal é fazer com que os resultados de uma avaliação sejam reconhecidos internacionalmente, ou, em outras palavras “testado uma vez, aceito em qualquer lugar”. Em outra matéria iremos abordar os Acordos de Reconhecimento Mútuo (MRA, da sigla em inglês) serão analisadas com maior atenção.
Depois dos esclarecimentos acima, é mais fácil entender como um barreira técnica pode vir a se estabelecer. Ela poderá surgir a partir de diferentes situações, como por exemplo: quando há ausência de transparência das normas ou regulamentos aplicados; pela imposição de procedimentos morosos ou dispendiosos para avaliação da conformidade; ou em decorrência de regulamentos excessivamente rigorosos impostos pelas legislações estrangeiras.
Note-se, portanto, que normas e regulamentos técnicos não constituem barreiras técnicas per se; tal conotação se dá, apenas, quando as exigências neles contidas vão além do aceitável.
Os obstáculos impostos ao comércio internaciomnal pela existência de barreiras técnicas fizeram com que fosse firmado, no âmbito da Organização Mundial do Comércio, um acordo internacional sobre barreiras técnicas, o TBT (Agreement on Technical Barriers to Trade). A apresentação e análise do TBT e de suas proposições, incorporado integralmente pela OMC, será abordando em publicação futura.
Cabe salientar aqui que, do ponto de vista dos países em desenvolvimento, o enfrentamento de barreiras técnicas é ainda mais complexo. Isto se dá porque, mesmo que determinadas normas e regulamentos técnicos estejam de acordo com os propósitos e definições apresentadas, esses países têm dificuldade de se adaptar e seguir as regras estipuladas. Os países em desenvolvimento se depararão, desta forma, com “barreiras técnicas” à sua inserção no comércio internacional, em função de se encontrarem em estágio tecnológico ainda incipiente, face aos demais países avançados.
As discussões sobre barreiras técnicas no âmbito da OMC são analisadas estritamente à luz do TBT. Sendo assim, contestações dos países inclusive daqueles menos desenvolvidos, serão atendidas apenas se estiverem de acordo com as regras definidas pela OMC, o que reduz espaço para reivindicações.
Fonte: www.inmetro.gov.br/barreirastécnicas